O que o Brasil tem de diferente? Muitas coisas, inclusive as diferenças regionais que fazem o país rico para os muito ricos e pobre para os muito pobres no mesmo tempo e espaço. Basta folhear velhas lições da contradição do desenvolvimento econômico e social que cada canto do país vive. Há crise mundial, o país se assusta, mas segue em frente, sem se importar com as más línguas dos profetas do apocalipse, que sempre fazem os governos reagirem mal e proclamarem os esforços feitos para mudar isto ou aquilo. Mas fato é fato e não pode ser mudado com ações pontuais sobre grandes feitos e planos para um futuro que nunca chega, que é miragem para muita gente. Por isso, tapar o sol com a peneira permanecerá como o grande desafio a sombra absoluta. Assim como a realidade, que deixa, às vezes, vazar luz demasiada ainda que se procure o aconchego de um quarto à meia luz.
O governo federal criou mais um índice que será apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e que expõe o Brasil que não queremos: o país da miséria, da pobreza danosa, violenta. A notícia não deve ser vista como gradações de escândalo pelo fato de envolver o governo, até mesmo pela razão de o próprio governo ter criado mais um instrumento para mostrar a cara do Brasil. O certo é que o novo índice é uma grande base de informação para a elaboração de políticas públicas, normalmente carentes de dados consistentes, mensuráveis e confiáveis.
Pois bem, estamos diante do novo Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), que será apresentado Ministério e que traça o mapa da pobreza no Brasil. Esse índice se baseia na vulnerabilidade familiar, escolaridade, acesso ao trabalho, renda, desenvolvimento infantil e condições de habitação. Essas informações têm origem no Cadastro Único ministerial que é um instrumento de coleta de dados e informações com o objetivo de identificar todas as famílias de baixa renda existentes no país. O IDF, além de poder ser calculado para cada família, foi construído de modo a ser aditivamente agregável, segundo a apresentação feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social na internet. A partir desse novo instrumento, pode-se, com base nele, não apenas obter o grau de desenvolvimento de bairros, municípios ou países, mas também de grupos demográficos como negros, crianças, idosos ou analfabetos.
A luz que vaza pela peneira da realidade do IDF, mostra que a região Norte é a mais pobre do Brasil. É o lado distante do Brasil Central. Ainda que os programas sociais anunciem mil benefícios e beneficiados, o assistencialismo do estado não tem a força de uma ação revolucionária, quando o que o povo quer mesmo é ocupação e renda. A nota triste do caso é, realmente, a falta de alcance das políticas públicas em relação aos povos da Amazônia, onde a pobreza é escancarada. Juntando-se o assistencialismo à falta de trabalho e baixa escolaridade temos o prato feito dessa cozinha onde o Amazonas desponta como o estado com a pior situação de miséria, seguido do Pará e do Maranhão. Não escapa dessa perversa pobreza nenhum estado da região Norte.
Voltemos à distância que nos separa do poder central instalado em Brasília. Entre as capitais brasileiras, onde o Estado brasileiro está mais próximo, a situação é um pouco melhor. Não há nenhuma capital entre os 500 municípios com piores Índices de Desenvolvimento Familiar. Mas se nos distanciamos do Planalto, os índices mostram o que não queremos ver: Macapá (AP) e Porto Velho (RO) têm as piores situações, com IDF 0,48. Mas Belém (PA), Manaus (AM) e Rio Branco (AC) aparecem com 0,49 apenas. São Paulo, a cidade mais rica do País, tem um IDF de 0,55, igual ao de Teresina (PI), Natal (RN) e Aracaju (SE). Curitiba e Salvador são as melhores capitais, com 0,59 e 0,58, respectivamente.
De posse desses dados, cada cidadão deve cobrar o voto colocado, ou melhor, digitado nas urnas para escolher os candidatos eleitos para gerir os destinos de suas cidades e dos seus municípios, dos estados e do País. Quando vemos a Amazônia cantada em verso e prosa, em discursos e em palanques anacrônicos, lembrada apenas pela floresta e pelas águas na sinfonia da biodiversidade, impossível não perguntar: e os povos das florestas, e os povos das cidades fundadas no seio da floresta, não fazem parte da paisagem? A Amazônia não pode ser reduzida a cartão postal. Aqui há gente que precisa de qualidade de vida, logo a pobreza precisa ser combatida.
Não dá para tapar o sol com a peneira.
O governo federal criou mais um índice que será apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e que expõe o Brasil que não queremos: o país da miséria, da pobreza danosa, violenta. A notícia não deve ser vista como gradações de escândalo pelo fato de envolver o governo, até mesmo pela razão de o próprio governo ter criado mais um instrumento para mostrar a cara do Brasil. O certo é que o novo índice é uma grande base de informação para a elaboração de políticas públicas, normalmente carentes de dados consistentes, mensuráveis e confiáveis.
Pois bem, estamos diante do novo Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), que será apresentado Ministério e que traça o mapa da pobreza no Brasil. Esse índice se baseia na vulnerabilidade familiar, escolaridade, acesso ao trabalho, renda, desenvolvimento infantil e condições de habitação. Essas informações têm origem no Cadastro Único ministerial que é um instrumento de coleta de dados e informações com o objetivo de identificar todas as famílias de baixa renda existentes no país. O IDF, além de poder ser calculado para cada família, foi construído de modo a ser aditivamente agregável, segundo a apresentação feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social na internet. A partir desse novo instrumento, pode-se, com base nele, não apenas obter o grau de desenvolvimento de bairros, municípios ou países, mas também de grupos demográficos como negros, crianças, idosos ou analfabetos.
A luz que vaza pela peneira da realidade do IDF, mostra que a região Norte é a mais pobre do Brasil. É o lado distante do Brasil Central. Ainda que os programas sociais anunciem mil benefícios e beneficiados, o assistencialismo do estado não tem a força de uma ação revolucionária, quando o que o povo quer mesmo é ocupação e renda. A nota triste do caso é, realmente, a falta de alcance das políticas públicas em relação aos povos da Amazônia, onde a pobreza é escancarada. Juntando-se o assistencialismo à falta de trabalho e baixa escolaridade temos o prato feito dessa cozinha onde o Amazonas desponta como o estado com a pior situação de miséria, seguido do Pará e do Maranhão. Não escapa dessa perversa pobreza nenhum estado da região Norte.
Voltemos à distância que nos separa do poder central instalado em Brasília. Entre as capitais brasileiras, onde o Estado brasileiro está mais próximo, a situação é um pouco melhor. Não há nenhuma capital entre os 500 municípios com piores Índices de Desenvolvimento Familiar. Mas se nos distanciamos do Planalto, os índices mostram o que não queremos ver: Macapá (AP) e Porto Velho (RO) têm as piores situações, com IDF 0,48. Mas Belém (PA), Manaus (AM) e Rio Branco (AC) aparecem com 0,49 apenas. São Paulo, a cidade mais rica do País, tem um IDF de 0,55, igual ao de Teresina (PI), Natal (RN) e Aracaju (SE). Curitiba e Salvador são as melhores capitais, com 0,59 e 0,58, respectivamente.
De posse desses dados, cada cidadão deve cobrar o voto colocado, ou melhor, digitado nas urnas para escolher os candidatos eleitos para gerir os destinos de suas cidades e dos seus municípios, dos estados e do País. Quando vemos a Amazônia cantada em verso e prosa, em discursos e em palanques anacrônicos, lembrada apenas pela floresta e pelas águas na sinfonia da biodiversidade, impossível não perguntar: e os povos das florestas, e os povos das cidades fundadas no seio da floresta, não fazem parte da paisagem? A Amazônia não pode ser reduzida a cartão postal. Aqui há gente que precisa de qualidade de vida, logo a pobreza precisa ser combatida.
Não dá para tapar o sol com a peneira.