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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Benção, Bossa Nova

Velhas revistas e livros. Recortes e memórias. Ronald Junqueiro

Bossa Nova é uma colagem. Coisa boa do Brasil. A data do nascimento é incerta, mas o certo é que ela nasceu no berço esplêndido dos anos dourados. Mas isso ‘são outros 500’ ou 50, quem sabe? Um cantinho, um violão. E Tom & Vinícius, mestres que andaram em companhia de outros mestres, de vozes inesquecíveis como as da divina Elizeth Cardoso, Sylvia Telles, Nara Leão, Alaíde Costa, e de compositores de fino trato como Carlos Lyra, João Bôscoli, Sérgio Ricardo, Luis Bonfá, Luis Carlos Vinha, Johnny Alf, Newton Mendonça, João Donato, Baden Powell, Roberto Menescal, Francis Hime, Billy Blanco e ele, João Gilberto. Depois deles, vieram as crias dos anos ´60 e a prova irrefutável de ser o Brasil um país musical de ouvido musical. Não vamos esquecer que a cantora paraense Leila Pinheiro fez a diferença com regravações de clássicos da Bossa Nova no final dos anos ´80.

Essas não são lembranças para rodar o dia todo cantando “Chega de Saudade”. Mas revirar os guardados e os recortes da história recente é fundamental para entender o que é ser brasileiro sangue bom. Que é melhor ser alegre que ser triste, como dizia o poetinha. Isso pode ser feito com um passeio pelos songbooks produzidos por Almir Chediak, da Lumiar Editora.

Leituras recomendadas:
Chega de Saudade, Ruy Castro – Companhia das Letras
Ela é carioca, Ruy Castro – Companhia das Letras
Feliz 1958, o ano que não devia terminar, Joaquim Ferreira dos Santos – Record

...50 anos depois, vemos que muita coisa também não mudou, como a ironia, a genialidade e o desafinado narigão de Juca Chaves. Prova disso é sair por aí, assobiando e cantando mentalmente um trechozinho do presidente bossa nova, título que atravessa gerações.

Bossa nova mesmo é ser presidente

Desta terra descoberta por Cabral
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original.
Depois desfrutar da maravilha
De ser o presidente do Brasil...