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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Não importa nada a não ser torcer pelo Brasil, apesar de Dunga. E contra a minha insatisfação ou para acalmar os nervos leio e recito "Pátria", do Poetinha.

Na Doca, bandeiras atraem os corações brasileiros. Ronald Junqueiro


Pátria minha

Vinícius de Moraes

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes."



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tarde clara. Calor demais. Nas ruas, a alegria do verde-amarelo se enrosca aos fios da rede elétrica. Coração brasileiro pulsando pelo hexa. hexa! hexa! hexa!


O verde-amarelo é a cor do coração brasileiro. Ronald Junqueiro

Minha rua não é minha e nem posso ladrilhá-la com pedrinhas de brilhante. Porque a rua é dos outros, é de todos e sobre a rua o vento sopra outros desejos, balança fitinhas verde-amarelas, bandeirinhas, balões e pulsa com a mesma batida do sonho pela hexa. Na verdade, nem que a rua fosse minha mandava ladrilhá-la com pedrinhas margeada por pedras de liós. O asfalto faz o contraponto da realidade. Melhor assim. Devo cuidar apenas de recapear a rua ou recuperar o asfalto. No mais, que a rua seja sempre idas e vindas e que esteja aberta para quem quiser passar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Não há detergente para limpar ficha de candidato sujo. Devemos barrar caras-de-pau que querem se manter no poder na marra.

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Vamos marcar quem não tem ficha limpa. Peguei no Correio Braziliense notícia sobre como é em alguns países o "NÃO" ao candidato ficha suja. Taí o circuito:

Estados Unidos

Em alguns estados são consideradas inelegíveis pessoas condenadas por crimes graves, como homicídio e tráfico de drogas. As diversas legislações estaduais também dão ênfase à prática de suborno ou crime de perjúrio, utilização de dinheiro para influenciar as eleições, corrupção passiva, peculato, malversação, políticos que tenham sofrido impeachment, etc.

Alemanha
Uma condenação judicial desqualifica uma pessoa para votar e ser votada.

Espanha
Estabelece que são inelegíveis os que foram condenados por sentença, ainda que não haja trânsito em julgado, por atos como terrorismo, rebelião ou crimes contra as instituições do Estado.

Uruguai
A cidadania se suspende quando alguém é processado em causa criminal que possa resultar em cumprimento de pena em prisão. Para disputar os cargos de deputado e senador é necessário possuir cidadania natural em exercício.

Luxemburgo
A condenação criminal é uma das hipóteses de inelegibilidade.

Austrália
São inelegíveis aos cargos de senador e de deputado federal, entre outros, aqueles condenados a mais de um ano de prisão, independentemente do tipo de crime cometido.

Bélgica
São inelegíveis aqueles que tiverem suspensos os direitos de exercício do voto em função de alguma condenação.

Holanda
É impedido de votar e ser votado aquele que tenha cometido crime cuja pena seja superior a um ano.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

E a "Máscara de Jason" vai para!...

Reprodução feita a partir de cenas do filme. Ronald Junqueiro
Dá uma tristeza ver o Brasil do jeito que está. Violência, mentira, golpes, políticos de baixo calão, enganação geral, cinismo pela hora da morte. Nada disso é novo e nem podemos ser inocentes para acreditar que tudo começou agora, na era Lula.

Mas não há como fechar os olhos para tanto descalabro.

Tudo é ambição, guerra pelo poder, manutenção do poder e o povo que lamba o chão.

Quem mente afinal, Lina ou Dilma? Lula?

Sarney? Palocci? Mercadante? Aquele que faz do Senado o quartel de Abrantes...E que diz que não amarelou, que o apelo do PT para o seu “dia do Fico” era maior - PT que mais parece, hoje, Partido da Traição.

Nesse circo de horrores, vamos criar um Prêmio Nacional made in USA? Mas sem ameaçar a natureza. No lugar da Cara de Pau lançamos como prêmio para os piores cidadão do Brasil a máscara de Jason, no prêmio “Monstros do Brasil”.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Economia em alta e moral barata


Lula disse - há mais ou menos um mês, lá no Cazaquistão - estar preocupado com o que classifica como “política de denuncismo”.

Na verdade, isso indica que alguma coisa está fora da ordem.

O Brasil pode ir bem das pernas na economia, mas vai mal na moral.

No comando do país falta a palavra como ato de liderança e não como destempero e incontinência.

Aqui andam falando muita merda, cobras e lagartos. A turma da política, do planalto à planície, trata o ouvido do cidadão como se fosse penico, a começar pelo presidente.

Pelo jeito, a descarga está nas mãos erradas. O cidadão (claro que falo no cidadão de bem!) deve ser o dono da higienização, logo... é o dono da história. O resto é figuração.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Corruptos devem cair

Quem foi eleito para cuidar do País, dos estados e dos municípios deve ter em mente, sempre, o compromisso que assumiu com a honestidade e com a transparência
Num País tão grande como o Brasil, muitas coisas se realizam com a mesma grandiosidade, seja gravitando ao redor do poder constituído ou de outros segmentos de reconhecida importância econômica e financeira, aqui citado apenas a título de ilustração. Comparativamente, essa grandiosidade territorial abriga outras que, como prática, são condenáveis a olho nu, independente de decisões judiciais.
Tão grande quanto o País são a corrupção e a impunidade que passeiam de mãos dadas com a conivência de uma fileira de interessados em que essa dobradinha continue enchendo cofres e alimentando o poder.
O Brasileiro gosta desse estado de coisa? Fechamos os olhos por indiferença ou conveniência? Para quem acredita em pesquisas, a que foi feita pelo Ibope no primeiro semestre deste ano afirma que a maioria dos brasileiros condena a corrupção, mas, se tivesse uma oportunidade, seria capaz de roubar dinheiro público. Essa intrincada relação entre poder e dinheiro move montanhas muito mais que possa sonhar nossa vã fé, já que não cabe nesse contexto os mistérios que nenhuma vã filosofia possa imaginar.
A sentença produzida pela pesquisa é polêmica e não pode ser considerada verdade absoluta. Se assim fosse, não haveria sentido termos justiça e cidadãos indignados que vêm engrossando movimentos contra a desordem instalada e incentivada por quem de direito. É o caso, por exemplo, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que já emplacou mais de meio milhão de assinaturas favoráveis à causa.
Diante de iniciativas como essa, há como estimular um real sentimento de honestidade nos cidadãos? Há como acreditar na Justiça como resposta aos clamores de quem está cansado de ver desordem e falso progresso?
É um descalabro a fraude ao fisco que vinha sendo investigada pela “Operação Paço de Cristal”, desencadeada pela Receita Federal do Brasil e que detectou o desvio de mais de R$ 200 milhões praticado por 67 prefeituras do Pará, uma montanha de dinheiro que pode ser bem maior. E as irregularidades constatadas somam ainda o descumprimento de obrigação acessória, ou seja, a não-entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Essa prática também configura crime tributário, tendo como uma de suas conseqüências aplicação de multa ao infrator, no caso, geralmente o gestor municipal. Uma multa de R$ 1,7 milhão já foi aplicada a um único prefeito, nessa operação, além de denúncia ao Ministério Público Federal por crime contra a ordem tributária.
Que governos foram esses que escolhemos no voto? Que gestores são esses em que depositamos confiança? Não há passe de mágica na transformação dos eleitos no trajeto entre palanque e o palácio, pois o projeto pessoal já estava definido, bem antes das promessas nos comícios em praça aberta ou nos programas de televisão.
O brasileiro - e muito menos o paraense - não pode ser confundido por conta do desmando, da desonestidade e da incúria de poucos. Como os que assumiram a responsabilidade de governar seus territórios, os mesmos que com suas gestões desastrosas, por exemplo, levam os holofotes para um estado como o Pará, que, lá fora, coleciona títulos encardidos, fichas sujas, corrupção galopante, assento especial no mapa nacional da pobreza divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à fome, fonte oficial de uma história triste da qual todos nós somos personagens – uns na miséria e outros se locupletando.
Como podemos nos proteger dessa bandidagem do colarinho branco? Como as lagostas, que precisam de um período de defeso? Não podemos nos aquietar nem nos conformar com a falsa premissa do “justiça seja feita” por tempo indeterminado.
O próximo dia 9 de dezembro, Dia Mundial de Combate à Corrupção, é um bom momento para manifestações contra esse estado de coisas. Em Belém, o tema será debatido em seminário organizado pela Controladoria Geral da União. Dias para reflexão e para soltar a voz. Assim podemos encontrar o caminho da Justiça e da punição para quem merecer ser punido.
Por falar em Justiça, mesmo quando ela se faz em pequenas causas, deixa florescer a crença de que o cidadão tem direitos inalienáveis. E por isso, vale a pena contar o caso de um empregado da empresa paranaense de transportes coletivos demitido por justa causa sob a acusação de ter violado norma interna ao comprar de um passageiro onze vales-transporte para uso pessoal. Ele conseguiu converter na Justiça Trabalhista a justa causa em dispensa imotivada. E a defesa precisa do ministro Ives Gandra Martins Filho, Tribunal Superior do Trabalho estabeleceu o equilíbrio dos pratos da balança ao sentenciar: “Deve haver proporcionalidade entre a conduta do empregado e a penalidade aplicada pelo patrão”. O ministro apresentou outros argumentos para a defesa do trabalhador, que tinha uma ficha exemplar.
Essa proporcionalidade entre a conduta dos gestores e a confiança neles depositada pelos eleitores pode muito bem ser aplicada nesse caso. Governos corruptos devem ser cassados por traírem a confiança do cidadão simbolizada pelo voto.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Amazônia. Apagar o fogo, acender a velinha

Exemplo de resistência, desafio ao tempo. Ronald Junqueiro
Parece dia de festa, mas não é. Na avenida onde fica o prédio onde moro estudantes desfilam pelo dia da Raça. Uma das escolas vem com a banda em silêncio e os alunos usam luto pelo assassinato do colega por outro colega, em frente ao colégio.

Os jornais circulam carregados de anúncios institucionais pelo dia da Amazônia. O governo anuncia que vai começar o plantio de um bilhão de árvores até 2011.

Os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura querem colocar em prática o plantio de dendê, uma cultura exótica para a região.

O Partido dos Trabalhadores condena ações recentes do ministro Carlos Minc com a possibilidade de recuperação de áreas degradadas com espécies exóticas e não com plantas nativas. Mas é bom assinalar, como o Brasil não é só Amazônia, que o PT condena também e a concessão da licença ambiental prévia para a Usina Nuclear Angra 3.

O PT critica ainda a lei 11.763, assinada em agosto pelo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, que aumentou de 500 para 1.500 hectares o limite para regularização fundiária na Amazônia sem licitação.

O Sistema de Alerta ao Desmatamento do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, 276 km2 de floresta foram derrubados ou queimados em julho deste ano. Há um ano, a região perdeu 961 km2. Caiu o desmatamento.

Como diz ditado “onde há fumaça há fogo”, Lula lapidou a seguinte frase quando questionado na terça-feira passada sobre o projeto que proíbe o fumo em locais fechados:

“Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado.”

E Lula nem aí. Segundo repórteres que participavam da coletiva, ele fumava sua cigarrilha na maior, contrariando a legislação que só permite o fumacê em fumódromo.

Tudo isso seria prato cheio para Sérgio Porto, o genial Stanislaw Ponte Preta e seu Febeapá, o Festival de Besteiras que Assola o País, ou uma nova versão para o samba do crioulo doido.

Frase do Stanislaw Ponte Preta

"No Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixaram de acontecer."

Resta-nos desfilar pela Avenida Brasil.

Uma boa leitura sobre o dia da Amazônia: Blog da Amazônia do Altino Machado