Da minha janela vejo as mudanças do tempo, do vento, da vida. Um gosto de sol, às vezes de chuva. Vivemos assim, alternados, alternativas. Um lado que se oculta, outro que se expõe. Não por medo. Cada lado procura apenas a luz propícia, mesmo que seja uma breve chama a revelar ângulos, claridades, contornos, faces, linhas, lados, perfis, sombras, sutilezas.
Ninguém se mostra por inteiro. Esse é o grande lance. O melhor. E nem precisa ser esfínge. Ou ameaçar quem nos tenta desvendar. Deixa-se ou não. Nem a fome nem a sede podem ser a medida da nossa voracidade. Decifra-me ou te devoro? Pode ser o inverso: devora-me e me decifra. Podemos ser via de mão dupla. Ou beco sem saída.
Há dias de chuva e dias ensolarados.


