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domingo, 1 de janeiro de 2012

O primeiro dia do ano, com sol pela manhã e chuva à tarde, coisa marcante em Belém do Pará, no começo do inverno equatorial da Amazônia. O Dragão deve estar encharcado.



Belém amanheceu com sol quentinho. Mas às duas da tarde a chuva veio saudar o primeiro dia do ano. Deu uma trégua e voltou logo depois. O inverno, como no ano passado, roubou o pôr de sol. Há pouco movimento na cidade. Ressaca de inverno depois de uma noite que sempre me parece uma grande cena de bombardeio.

Marquei o dia com três fotos. Agora me recolho. Pressão 12 x 8, sem grandes emoções. Preguiça macunaímica, apesar de estar com meu nível físico com invejáveis 98%, de dar inveja para quem correu na São Silvestre. Nível intelectual é 49%, bom para cancelar compromissos e nível emocional de 88%, bom para ir a festas e velórios.

Joguei I-Ching, saiu o Wei Chi, que significa ‘antes da conclusão’. O hexagrama que me disse o seguinte:

“Para você este é um momento cheio de oportunidades úteis para obter o que deseja. É uma fase de transição que pode fazer você passar de um estado negativo e problemático a um positivo e sereno. Continue a usar a máxima prudência: o êxito está ao seu alcance e o sucesso próximo”.


Não ganhei na mega sena da virada. Vou ter que me virar por outros meios para sobreviver.

No mais, o ano está apenas bocejando! Eu, sob os efeitos de uma noite feliz e um despertar tranqüilo, sem grandes desordens arrítmicas do meu corações que empurra com a barriga sua fibrilação atrial. Ter ou não ter barriga, eis a questão do coração...
 

quinta-feira, 22 de abril de 2010

...Se sabe que muda o tempo, se sabe que o tempo vira, ah! o tempo virou. E o tempo mudou em Belém, depois do meio da tarde.

Doca no contra-luz de um céu ao final das 4. Ronald Junqueiro
Quinze minutos depois das 5. Cidade cinzenta. Ronald Junqueiro
O tom fantasmagórico embaça o azul ao longe. Ronald Junqueiro
Da sacada vejo a cidade ligando seus bicos de luz. Ronald Junqueiro

O tempo que me atrai para fora e que se expõe sem pudor revira minhas estações que alternam lembranças de invernos aconchegantemente quentes, com a termia dos corpos e o fogo das paixões. Olho a cidade sob a lente das chuvas e ao longe há silhuetas de prédios que lembram cenários ilusórios, estruturas fantasmas, eretas, misteriosas como os amores que escondem no ventre dos apartamentos. Amores conhecidos e amores clandestinos que tudo no amor é permitido. E a umidade nos consome como úmido é o desejo que exala em cada roçar das almas, que transborda pelos poros, anima a pele e hidrata os pelos. O verão está a caminho. E vai me revelar outras luzes.

Na cidade, agora, a tempertura é 25°C, a umidade é 88% e a visibilidade é boa.

Amanhã é outro dia. Não quero ler a previsão. Deixarei com as Parcas e com a Horas que elas teçam meu destino e meu tempo com o melhor nó das tramas das fiandeiras.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Chinês cara-de-pau !!!

A voz da dona e a dona da voz. A vida pode imitar arte? Jean e Debbie
Em 1927, o cinema falado desencadeia uma revolução nos estúdios e nas produções hollywoodianas. É nessa transição que aparecem Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen), os queridinhos do cinema mudo. Os dois participam da produção do primeiro musical, com som. Mas como comédia e tragédia andam de mãos dadas, a bela Lina tem cara linda mas não tem voz, ou melhor, tem uma voz horrível. A estreante Kathy Selden (Debbie Reynolds) é chamada para dublar a estrela. Entre trapaças, música, dança e muitas confusões, a avant premiére do filme "O patife real" acontece, no Teatro Chinês, em Hollywood. E é o grande desastre da temporada.

Parece que a vida real imita a arte na China. Lin Miaoke, a garotinha de vermelho que subiu ao palco na abertura dos jogos, usou a voz de Yang Peiyi, a garotinha que não foi considerada bonita o bastante para encantar o mundo. Chiang Qyang, diretor musical da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, com a maior cara-de-pau que o regime lhe deu, cheia de olhinhos puxados e cuidadosamente envernizada, declarou à rádio de Pequim essa pérola devidamente traduzida do mandarim para idiomas de todo o mundo: "A razão por trás disso é que precisamos colocar os interesses do país em primeiro lugar."

Lin Myoke, aos 9 anos, virou o anjo sorridente, ao soltar a voz que não era dela, cantando "Ode à Patria". A outra chinesinha, Yang Peiyi, de 7 anos, disse ao jornal chinês China Daily não ter se arrependido de ter emprestado a voz a Lin e que ficou feliz em ter participado da cerimônia.

Dá para acreditar?

Com tanta lavagem cerebral, a pequenina Yang Peiye, versão baixinha de Kathy Selden, personagem dos telões interpretada pela queridinha Debbie Reynolds, não daria outra resposta para o mundo. Mas se fosse uma criança com mais liberdade e com direitos a praticar humor negro, subiria ao palco para cantar "Ódio à Pátria". Quanto ao anjo sorridente, a pequena Lin Miaoke, vamos torcer para que ela tenha o sorriso de criança e seja criança de verdade. O mundo já está superpovoado por gente tipo Lina Lamont em todas as variações. Aliás, uma grande sacanagem do cartaz do filme é não dar destaque para Jean Hagen, grande atriz que interpretou a vilã no cinema.

A história de Singing in the Rain é meio ingênua, não sofre ataques de genialidade, mas tem cenas inesquecíveis como a dança de Genne Kelly e Cid Charisse, atriz que morreu há pouco tempo e que provocava suspiros por ter uma das pernas mais bonitas do cinema americano. Os relatos dos bastidores da época contam que na cena da Broadway Melody três turbinas de avião criavam os efeitos fantásticos do véu esvoaçante de seda usado por Cyd Charisse, com mais de sete metros de comprimento. Nada que hoje um bom software não resolvesse.

"Cantando na Chuva", de 1952, com roteiro e direção Gene Kelly e Stanley Donen, depois de 56 anos ganha versão original do patife real Chiang Qyang. Se ele era fã de Gene Kelly, para lembrar Chacrinha, o Velho Guerreiro, podemos dizer que na vida nada se cria, tudo se copia, especialmente em caso de sacanagem intelectual.

Historinhas dos bastidores

A equipa técnica usou uma mistura de água com leite para criar um efeito real de chuva, na clássica cena de Gene Kelly, obrigando-o a mudar várias vezes de roupa. Ele pegou uma baita gripe.

Nos bastidores de "Cantando na Chuva”, a cumplicidade do par romântico parecia só existir na tela: Gene Kelly acusou, em várias ocasiões, a sua colega Debbie Reynolds de não saber dançar. A atriz tinha crises de choro e era consolada por Fred Astaire, outro bailarino brilhante.

Farsa da farsa: a voz da personagem Kathy que dublava Lina Lamont, nas gravaçőes dos números musicais de Would You? e You Are My Lucky Star, não era a de Debbie Reynolds, mas a de Betty Noyes.

PS. Sessão Nostalgia. Passe na locadora, pegue "Cantando na Chuva", compre pipoca para micro e curta o filme em boíssima companhia.