quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu não sou cachorro não!

Brega, cafona, trash e tudo o que se pode colocar na linha marginal do Brasil foram os títulos e adjetivos mais usados ou envolvidos em pele de tomate para jogar no amado e odiado cachorrão Waldick Soriano. Agora, ele será um clássico e com certeza reconhecido como o que teve coragem, na multidão de puristas da MPB, de fazer música explícita sobre a dor de corno.

É preciso separar o joio do trigo, pois muita gente veio no embalo do artista, gente sem qualidades definidas, o falso brilhante.

O que dizia Waldick

“Não entendo por que rotulam a música romântica de brega. Essa nova geração nem sabe o que é isso! Brega é cabaré, é aquele lugar popular onde o homem vai procurar uma mulher”.

“A elite está carente. Ela sente a falta das músicas do tempo em que se dançava bem, da música romântica, que é imortal. Hoje, não existe mais um Altemar Dutra, um Nelson Gonçalves”.

Adeus, Waldick! Ex-bóia-fria que virou peão, depois motorista de caminhão, garimpeiro e que era considerado o “Frank Sinatra” made in Brazil.

Baiano de Caetité, com mais de 40 anos de estrada, a última homenagem para o artista foi feita pela atriz Patrícia Pillar que dirigiu o documentário “Waldick, Sempre no Meu Coração”.

Acho que a música “Eu não sou cachorro não” embalou a trilha de muita desilusão amorosa. Com direito à versão em inglês. Se for mais chique e menos chocante, baixe um mp3 com "I'm not dog no".

Alguém acredita que nunca na história deste país existiu corno? Então quem nunca sentiu dor de corno que atire a primeira pedra.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A Rebarbadora ( O início...será?)

Esta história de rebarbadora é um bom mote para os filmes dos cineastas Wes Craven e Quentin Tarantino. Voltando ao local do crime, ops! Da leitura ao Diário de Notícias, de Portugal, o arrombamento do caixa eletrônico da vila de Alvalade do Sado não é inédito. Cerca de três semanas antes, assaltantes arrombaram o caixa eletrônico em Grândola, cidade que na minha imaginação deve ser o paraíso.

Na página do Concelho de Grândola, o convite é tentador. Ficar de pernas pro ar na costa do Alentejo é tudo o que eu queria:

“A costa do Alentejo apresenta-se hoje no continente europeu como um dos melhores exemplos de um litoral pouco intervencionado, mantendo praticamente em toda a sua extensão características biofísicas naturais.

Entre o oceano Atlântico e a planície alentejana, numa extensão de 45 km, desde o extremo da Península de Tróia até à praia de Melides, a costa do concelho de Grândola, é a maior extensão de praia do país, uma mancha contínua de areal. A paisagem litoral é caracterizada por uma costa baixa de extensas praias arenosas, constituídas por vezes pelos sedimentos avermelhados das escarpas arenosas recentes".

Pois bem, os ladrões – três indivíduos encapuzados - abriram o cofre em menos de oito minutos. Não ameaçaram ninguém com armas, intimidaram apenas os funcionários e os dois clientes que se encontravam no restaurante Cavalo Lusitano e ordenaram que ficassem “quietos” enquanto arrombavam o caixa. Depois do roubo fugiram tranqüilamente numa BMW ou Audi, segundo informações desencontradas de testemunhas. Muito menos imagens do bando.

“Despejaram o extintor, para criarem uma densa nuvem de pó na zona onde iam actuar, viraram as câmaras de vigilância ao contrário, com um pé-de-cabra, e desligaram a caixa ATM da ficha, para ligarem a rebarbadora.”

O que não faz uma rebarbadora? Segundo o jornal os ladrões entraram no restaurante de rebarbadora “apontada” à caixa multibanco, na calma tarde de uma quarta-feira alentejana. Metralhadora é coisa de bárbaros, trogloditas. E o bando da rebarbadora certamente é gente de fina estampa, até no tratamento: um dos dois funcionários no estabelecimento “ainda tentou fugir pelas traseiras. Mas logo foi detido pelos assaltantes, que o avisaram para estar "quieto".

Um dos funcionários até comentou:

"Nem disseram que isto era um assalto ou que deixava de ser. Só diziam para as pessoas estarem calmas e quietinhas, enquanto um deles cortava a caixa de lado. Sabia o que estava a fazer, porque ela abriu em menos de nada."

- Enquanto isso, no México, uma onda de terror abala a população: em três dias, 19 pessoas foram degoladas e, num dos casos, a cabeça da vítima foi deixada no frigobar...

- Enquanto isso, no Brasil, cai a cúpula dos arapongas. Não sabem usar grampo como a minha avó que prendia os cabelos lindamente num coque. A Agência Brasileira de Inteligência mostra-se pouco inteligente. O Lula, nosso presidente, nada sabia sobre a arapongagem.

- Enquanto isso, em Novo Repartimento, município do estado do Pará, 20 assaltantes invadiram a cidade na madrugada da segunda-feira, dia 2, armados de escopetas, fuzis e metralhadoras, renderam dois funcionários de uma empresa de energia elétrica e tentaram explodir o cofre do Banco do Brasil. O roubo não foi concretizado, mas o bando desafiou a polícia disparando para todos os lados, usando refém como escudo. No confronto, o quartel da polícia foi crivado de balas. Os bandidos fugiram em vários carros, levaram o refém que foi liberado depois e o carro da empresa dirigido por ele foi abandonado e incendiado cerca de quatro quilômetros da cidade, no meio da Transamazônica.

Realmente, uma rebarbadora faria menos estrago. Menos que o desgoverno a que estamos submetidos num país em que segurança e nada são a mesma coisa

domingo, 31 de agosto de 2008

O difícil é difícil, assim falou Lula

Gosto muito desta pérola filosófica do nosso presidente Luiz Ignácio Lula da Silva que achei numa agenda de 2004, nas inevitáveis faxinas que a gente é forçado a fazer para desocupar espaço. Mas como é de domínio público, pode ser encontrada numa carrada de sites. A frase, desencadeadora de um irreplicável sistema filosófico, foi (mal) dita na 1ª Conferência Nacional do Esporte, em 17 de junho de 2004. O recorte é da Folha de São Paulo.

“O governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil”

A frase é páreo duro para manchetes de jornais. O jornais brasileiros são uma fonte rica, não tenho a menor dúvida. Mas ontem recebi um e-mail procedente de Albergaria-a-Velha, Portugal, com material supimpa para manter o humor vital. Rir é o melhor remédio, ora pois! Humor eu tenho “só me falta-me o gramur”, como diz a filósofa Lady Keite, mestre e doutora na mesma escola do Lulinha. No mais, amo Fernando Pessoa e gosto de Portugal.

Recolhi, também, três manchetes policiais do Diário de Notícias, de Portugal, edição on line do dia 29.08.08. Caraca, os cadernos policiais dos jornais brasileiros são barra pesadíssimas. Assalto de banco aqui, então, vixe! É tiro pra todo lado. Na onda de assalto a bancos portuguesas, os ladrões parecem ser de fino trato.

. Solitário usou uma arma falsa para assaltar bancos num ano

É estrangeiro residente em Portugal e até aos 40 anos nunca teve quaisquer antecedentes criminais ou policiais. Mas no início deste ano algo mudou e o indivíduo dedicou-se a assaltar dependências bancárias, "auxiliado" por uma imitação de uma arma de fogo. Apesar da falta de experiência na área do crime, o indivíduo, que mantinha "uma vida regular e discreta", actuava "com um raro à-vontade", tendo assaltado sozinho dez dependências bancárias em apenas oito meses.

. Assaltantes de banco "não foram malcriados"

Maria José preparava-se para fazer um depósito quando ouviu um estrondo. Olhou em direcção da porta e deparou com três indivíduos encapuzados já no interior da Caixa de Crédito Agrícola. Um deles empunhava uma caçadeira, os outros saltaram para o interior do balcão e pediram o dinheiro à funcionária. "Disseram que não nos faziam mal. Nem foram malcriados", contou ao DN.

Enquanto isso, na pacata vila de Alvalade do Sado, todos acordaram depois das três da manhã ao som do alarme A população não tardou em perceber que o ruído provinha da Zona de Indústria Ligeira, a cerca de um quilômetro do aglomerado, onde existem várias empresas, apesar de não haver segurança na zona. O assalto virou manchete do domingo:

. Arrombaram multibanco com uma rebarbadora

Três ou quatro indivíduos assaltaram, ontem de madrugada, a caixa multibanco do supermercado Supersol, em Alvalade do Sado (Santiago do Cacém), com recurso a uma rebarbadora. O grupo arrombou a porta principal do edifício, pelas 03.00, e em cerca de dez minutos conseguiu abrir a caixa ATM, retirando o cofre do interior da máquina, que, segundo uma fonte da empresa avançou ao DN, teria sido carregada "recentemente".

Bom, o grande mistério e a pergunta que não quer calar: O que é, afinal, rebarbadora?

No Brasil poderia ser uma mulher rebarbada tipo a Lili Cartucheira.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quem apagou a vela do Michael Jackson?

Te cuida Michael Jackson! O mar não está pra peixe, cara
50 anos. 750 milhões de discos vendidos nos últimos 37 anos de carreira solo. 26 anos de Thriller, o fenômeno fonográfico. Sucesso e solidão. Flashes, paparazzi, escândalos, processos, chantagens, dinheiro jogado fora, sonhos misturados a pesadelos como docinhos ´bem casados` que o diabo amassou. Porra! O cara caiu em desgraça e é impressionante como a mídia noticia o aniversário do pop star como se fosse uma data melancólica, quase fúnebre, um obituário. Tadinho do Michael Jackson. A impressão que tenho é a de que no lugar dos parabéns pra você chamaram as carpideiras do nordeste para cantar uma incelença pro Miguelão. Coisa feia! Apedrejar Miguelzinho que nem Maria Madalena....Querem apagar o cara como alguém que morre por causa da múltipla falência dos órgãos, na UTI de Neverland.

Viver só nos custa a vida. Então, vida para Michel Jackson!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Consumidos pelo fogo de cada dia

Miragem. Ou símbolo da resistência à devastação. Ronald Junqueiro

Pará bate recorde de focos de queimadas

Essa é a manchete do dia. Os jornais e telejornais descarregam chamadas como bombas caindo de uma esquadrilha descontrolada. Os protestos dos cidadãos indignados com uma realidade que nos parece irreversível não ecoam. Morrem na garganta.

O Carlos Minc vem e morde, o Mangabeira Unger, assopra e massageia. Que comédia pastelão!

O fogo domina o cenário por causa do calor e da baixa umidade. O estado sofre queimaduras em todos os graus provocadas por 2,6 mil focos de incêndio.

Da forma como é dita a informação, parece que aqui há um imenso fenômeno de combustão espontânea, onde a fumaça esconde o dedo do bicho-homem.


[Amazônia é geléia geral quando vira notícia. Parece guerra de contra-informação. Como a música “Querelas do Brasil”, do Maurício Tapajós e Aldir Blanc, imortalizada por Elis Regina. O Brasil não conhece o Brasil. O Brasil tá matando o Brasil. Do Brasil SOS ao Brasil. E assim se passa com a Amazônia, com Mata Atlântica ou o tufo do que restou de uma floresta mágica. E assim acontece com o cerrado e assim acontece até em nossos quintais. E quem se importa? Nós, brasileiros, estamos atentos ao que se passa sob nossos narizes?

E afinal, quanto a Amazônia já perdeu de floresta?

Reportagens especiais ou notícias que ficam no pé dos índices do desmatamento adoram comparações que mais confundem e não esclarecem nada. Já li que a destruição equivale a porradas de Vaticano, ao Rio de Janeiro, a milhares de campos de futebol. Isso não dá a dimensão exata da catástrofe provocada pelo desgoverno. Penso que acaba sendo um desserviço.

A dona Maria ou o seu Raimundo lá dos cafundós que nem sabem para que lado fica o Vaticano, nunca foram ao Rio de Janeiro ou pisaram no Maracanã ou no Mangueirão nem terão noção do que fazer com essa informação, que não tem função para eles. É informação para cientistas, governo, formadores de opinião, elites e suas tropas e para quem interessar possa.

A imprensa e as mídias de todos os matizes apostam no escândalo, em manchetes que vendam jornais e alavanquem a audiência. Mas isso dura um dia. No dia seguinte, nem sempre tem repercussão. Nosso diário é pobre em acompanhamento sistemático do que se passa na região e pouco crítico.

29 de julho de 2008

Uma onda de otimismo: o desmatamento da floresta na região da Amazônia Legal recuou em junho na comparação com maio, de acordo com o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). O desmatamento da floresta amazônica foi 20%. Os dados da medição, feita pelo sistema Deter, mostrou que a área de desmate passou de 1.096 quilômetros quadrados em maio para 870 quilômetros quadrados no último mês.

Para refrescar a memória

A região observada livre da cobertura de nuvens foi maior no mês passado: 72% da Amazônia Legal. Em maio, a área observada livre de nuvens foi de 54%. Ainda assim, o sistema do Inpe conseguiu identificar uma redução no desmatamento. O instituto avaliou 304 alertas de um total de 568 em junho. Houve confirmação de desmatamento em 92% dos casos de alerta. Em 67% dos casos de desmatamento, o corte foi raso; em 25%, o caso foi de floresta degradada.

Em maio, o Inpe registrara número inferior de alertas (241 no total). Naquele mês, 88,3% dos alertas foram confirmados como desmatamento e 11,7% foram descartados. O porcentual de casos de corte raso da mata foi menor: 60% dos alertas identificados pelo Inpe. Os casos de degradação de alta intensidade também foram menos numerosos em maio: 23%. Em junho, 4% dos casos foram de desmatamento de intensidade moderada e leve.

19 de agosto de 2008

Em agosto, novo espetáculo de fogos de artifício para a informação dada, também pelo INPE, ao divulgar os dados do desmatamento na Amazônia Legal para o período de 2006-2007, realizado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (PRODES).

Informações embaladas pelo emaranhado de um vocabulário cinza: O resultado final, obtido pela análise de 213 imagens Landsat complementadas por imagens CCD/CBERS, SPOT e DMC em áreas nubladas, computou o total de 11.532 km2 de desflorestamento na Amazônia Legal. Este resultado atualiza a estimativa de 11.224 km2 divulgada em novembro de 2007, produzida com base na análise das 74 imagens que apresentaram maiores taxas de desmatamento no período anterior e que permitiram a estimativa em novembro com 2,7% de diferença para menos em relação ao valor definitivo.A taxa de desmatamento de 2006-2007 significa uma redução de 18% em relação à taxa medida no período 2005-2006.

E tudo isso com direito a pódium para os estados e suas taxas de desmatamento da Amazônia Legal em km2/ano. A menor taxa de desmatamento ficou com o Amapá (39), seguido do Tocantins (63), Acre (184), Roraima (309), Amazonas (610), Maranhão (613). E na seqüência ouro, prata e bronze, sob os últimos ecos das olimpíadas da China:

Pará 5.425
Mato Grosso 2.678
Rondônia 1.611

Continuamos afogados em números. Como chegar à superfície para respirar e saber qual é a real?]

sábado, 23 de agosto de 2008

Nem toda brasileira é bunda

E como protestam Rita Lee e Zelia Duncan:

Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem.


Habemus bunda? Por certo! Mas a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar mão nela, como dizia o inesquecível Gonzaguinha. Nós temos inteligência e paixão. Uma das possíveis mistura explosiva para a criatividade. Uma questão de química. Rita e Zélia acertaram na mosca na homenagem à Pagu.

Nossas meninas são mulheres de ouro. Assim como outras tantas mulheres brasileiras que não precisam injetar-se silicone em nome de uma beleza artificial, muitas vezes grotesca e passageira.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Um centímetro faz diferença

Um olhar brasileiro para o mundo. Um modo de ver as coisas

Esqueçamos a masturbação microfônica do Galvão e vamos gozar com um centímetro a mais o ouro da Maurren Maggi. Esse entrou bem. Distância e tamanho fazem a diferença na hora H, mesmo que não seja um salto com vara, sim senhor.

Agora é torcer e fazer figa. E deixar o 'gavião' pra lá.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Locutor pé frio com alma de coveiro

Há dias em que a gente acorda com o lado sensitivo (ou a intuição) mais exacerbado. Brigo comigo mesmo para não entrar nessa onda. Mas não adianta lutar. A frase ressoa em meus neurônios: Non creo en brujos, pero que los hai, los hai.

Pois é, no que liguei a televisão para acompanhar o jogo das meninas do vôlei contra as chinesas e vi que o narrador era o Cleber Machado, meu sinal de alerta, vermelho e ruidoso como sirene de carro da polícia ou ambulância, foi automaticamente ativado: aí vem o Galvão Bueno narrar o jogo das meninas do futebol. Vai dar merda!

Não deu outra. Esse 'Gavião Bueno' é um tremendo de um pé frio. Queria brilhar com o ouro e lustrar a medalha no seu ego exibicionista e deu no que deu. As garotas deram adeus ao merecido ouro! Mas com sua cavernosa voz de papa defunto, o Galvão cagou na cabeça da torcida e das meninas. Tipo aquela história que diz que o “urubu quando está de azar o debaixo belisca o de cima”. E sob esse argumento sou amparado pela sabedoria chistosa e popular. E os teóricos que procurem outro lugar para pastar, que não me venham com lógicas e surtos racionais.

E ele, o coveiro medalha de ouro, foi até o final disparando disparates nos ouvidos do telespectador. Ôôôôôôôô! voz antipática, arrogante, que arrota uma sabedoria duvidosa e uma narração tão trash e demodê. Que me perdoem os fãs do locutor, mas seria mais interessante subir o áudio da torcida chinesa gritando:

"Palazil!!!" "Palazil!!!" "Palazil!!!"

É isso, tenho preconceitos ou rejeição a sons, sonoridades e vocalizações. Meus ouvidos têm lá suas razões. Ah, los humanos... Pero que los hai, los hai!

As meninas do futebol mostraram que o Brasil tem peito e pernas. E que é uma pátria raçuda. Muito mais que os craques pernas-de-pau escalados por Dunga, uns merdinhas milionários para quem a camisa verde-amarela é como um pedaço de pano de enxugar prato ou uma bandeira esfarrapada, encardida e sem a cor de euros e dólares que eles recebem no exterior.

Essa é a opinião de um semi-analfabeto em futebol.

Aplausos para as meninas do Brasil. Viva Marta e Formiga!

sábado, 16 de agosto de 2008

Grande pescador da música brasileira

O poeta e o mar, uma parceria pra toda vida

Poeta do mar, de amores, de mulheres como Anália e Marina, lá se vai Dorival Caymmi. Vai, mas nos deixa um oceano de música e poesia para o mergulho e o prazer de gerações de artistas que estão por vir. Tornou-se imortal. A saudade não será menor, nem a tristeza, nem os reflexos da perda. Mas esses são sentimentos que o tempo vai afinar, como a voz e o canto. O importante é que paira sobre isso a memória e há muito o que se cantar. Dorival se vai, mas o que deixou é de uma riqueza para toda a vida, para velhos ou novos baianos.

Uma coisa da qual sempre vou lembrar são os olhinhos de Dorival, buliçosos, conquistadores, brilhantes, moleques, brejeiros de uma brejeirice tal que Carmem Miranda aprendeu a revirar seus olhos graúdos e descobrir o que é que a baiana tem. Ficou tão baiana e tão brasileira que sequer lembramos que ela era portuguesa.

Do fundo do baú da alma de Dorival:
“Quem não gosta de samba bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça ou doente do pé” (Samba da minha terra)


28.08.2008

Estella Maris, mulher de Dorival, morreu ontem. Mergulhou no infinito para encontrar-se com seu pescador. Um amor para a eternidade.

Madonna cinquentona. E daí?

Deixa que digam, que pensem, que falem

Vamos deixar de lado esses papos furados sobre produtos novaiorquinos, máquinas de fazer e refazer sucesso, supermarketing e vírus oportunistas de campanhas virais, indústria da música, show business, fatias do mercado fonográfico devoradas por executivos gordos ou magros com pancake na cara para esconder a ácne e toda essa conversa armada para justificar fenômenos megabilionários. Ninguém vai além dos 15 minutos de fama se não tiver talento. E esse não é o caso de Madonna Louise Ciccone Ritchie.

A inglesa Lucy O´Brien, fã da artista, foi atrás desse fenômeno e lançou o livro “Biografia do Maior Ídolo da Música Pop”.
Lucy resistiu ao canto da sereia que antes achava fútil, fabricada e sem graça. Isso foi há mais de 25 anos. Agora, o tal mito fabricado chega aos 50 anos e continua intocável. E Lucy levará uns bons trocados como fã empreendedora. O resto da história se espalha pelo mundo entre fãs e clube de fãs, e filmes , vídeos e fotos e provocações e polêmicas e mídias.

Salve Madonna e todas as mulheres que chegam aos 50 desafiando o tempo!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Rita Lee muito mais sexy em Belém do Pará

A foto da Lady Rock foi abduzida em Brasília

Rita e sua trupe dão uma paradinha em Belém na megaturnê do show “Pic-Nic”. Festa em dose dupla: comemora os 40 anos de estrada que começou no Rio de Janeiro este ano e 60 anos.

O Brasil não teria graça sem Rita Lee.

Mutante, camaleoa, roqueira tropicalista, a filha de Charles e Romilda, mulher, mãe e agora avó sexagenária e todos os outros títulos que acabam atribuindo a ela, Rita Lee ganha páginas e páginas do noticiário nacional e as perguntas são de uma monotonia previsível. Mas questões desse tipo são outros 500.

Peguei numa matéria, dessas com entrevistas ping-pong, a resposta que penso melhor traduzir um estado de espírito de quem rala muito, apesar do glamour que pareça ter a profissão.

A pergunta deixa pistas de que foi feita por e-mail, uma coisa enlatada. Se não for, que me perdoe o jornalista.

Repórter - Depois de 40 anos de carreira, você pode dizer que já conhece esse tal de rock´n´roll? Como cantora, compositora, fez tudo o que queria fazer? Ou ainda tem coisas na sua lista que ainda não foram riscadas?

Rita Lee - Para todas as perguntas acima, confesso que não tenho a menor idéia sobre nada, com freqüência faxino minha cabeça e fico só “meditabutando”...

Pô! Como é bom meditabuntar! Mete um pouquinho ali, tira um pouquinho aqui, bundeia acolá na base do bundalelê... lêlêlálá.

Parabéns Rita Lee!!!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Chinês cara-de-pau !!!

A voz da dona e a dona da voz. A vida pode imitar arte? Jean e Debbie
Em 1927, o cinema falado desencadeia uma revolução nos estúdios e nas produções hollywoodianas. É nessa transição que aparecem Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen), os queridinhos do cinema mudo. Os dois participam da produção do primeiro musical, com som. Mas como comédia e tragédia andam de mãos dadas, a bela Lina tem cara linda mas não tem voz, ou melhor, tem uma voz horrível. A estreante Kathy Selden (Debbie Reynolds) é chamada para dublar a estrela. Entre trapaças, música, dança e muitas confusões, a avant premiére do filme "O patife real" acontece, no Teatro Chinês, em Hollywood. E é o grande desastre da temporada.

Parece que a vida real imita a arte na China. Lin Miaoke, a garotinha de vermelho que subiu ao palco na abertura dos jogos, usou a voz de Yang Peiyi, a garotinha que não foi considerada bonita o bastante para encantar o mundo. Chiang Qyang, diretor musical da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, com a maior cara-de-pau que o regime lhe deu, cheia de olhinhos puxados e cuidadosamente envernizada, declarou à rádio de Pequim essa pérola devidamente traduzida do mandarim para idiomas de todo o mundo: "A razão por trás disso é que precisamos colocar os interesses do país em primeiro lugar."

Lin Myoke, aos 9 anos, virou o anjo sorridente, ao soltar a voz que não era dela, cantando "Ode à Patria". A outra chinesinha, Yang Peiyi, de 7 anos, disse ao jornal chinês China Daily não ter se arrependido de ter emprestado a voz a Lin e que ficou feliz em ter participado da cerimônia.

Dá para acreditar?

Com tanta lavagem cerebral, a pequenina Yang Peiye, versão baixinha de Kathy Selden, personagem dos telões interpretada pela queridinha Debbie Reynolds, não daria outra resposta para o mundo. Mas se fosse uma criança com mais liberdade e com direitos a praticar humor negro, subiria ao palco para cantar "Ódio à Pátria". Quanto ao anjo sorridente, a pequena Lin Miaoke, vamos torcer para que ela tenha o sorriso de criança e seja criança de verdade. O mundo já está superpovoado por gente tipo Lina Lamont em todas as variações. Aliás, uma grande sacanagem do cartaz do filme é não dar destaque para Jean Hagen, grande atriz que interpretou a vilã no cinema.

A história de Singing in the Rain é meio ingênua, não sofre ataques de genialidade, mas tem cenas inesquecíveis como a dança de Genne Kelly e Cid Charisse, atriz que morreu há pouco tempo e que provocava suspiros por ter uma das pernas mais bonitas do cinema americano. Os relatos dos bastidores da época contam que na cena da Broadway Melody três turbinas de avião criavam os efeitos fantásticos do véu esvoaçante de seda usado por Cyd Charisse, com mais de sete metros de comprimento. Nada que hoje um bom software não resolvesse.

"Cantando na Chuva", de 1952, com roteiro e direção Gene Kelly e Stanley Donen, depois de 56 anos ganha versão original do patife real Chiang Qyang. Se ele era fã de Gene Kelly, para lembrar Chacrinha, o Velho Guerreiro, podemos dizer que na vida nada se cria, tudo se copia, especialmente em caso de sacanagem intelectual.

Historinhas dos bastidores

A equipa técnica usou uma mistura de água com leite para criar um efeito real de chuva, na clássica cena de Gene Kelly, obrigando-o a mudar várias vezes de roupa. Ele pegou uma baita gripe.

Nos bastidores de "Cantando na Chuva”, a cumplicidade do par romântico parecia só existir na tela: Gene Kelly acusou, em várias ocasiões, a sua colega Debbie Reynolds de não saber dançar. A atriz tinha crises de choro e era consolada por Fred Astaire, outro bailarino brilhante.

Farsa da farsa: a voz da personagem Kathy que dublava Lina Lamont, nas gravaçőes dos números musicais de Would You? e You Are My Lucky Star, não era a de Debbie Reynolds, mas a de Betty Noyes.

PS. Sessão Nostalgia. Passe na locadora, pegue "Cantando na Chuva", compre pipoca para micro e curta o filme em boíssima companhia.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

0ito do oito de dois mil e oito

Que te direi, se me interrogas?
As nuvens falam?
Não. As nuvens tocam-se, passam, desmancham-se.
Às vezes, pensa-se que demoram, parece que estão paradas...
Confundiram-se.
E até se julga que dentro delas andam estrelas e planetas.
Oh, aparência...Pode talvez andar um tonto pássaro perdido.
Voz sem pouso, no tempo surdo.

(Fragmento do poema “Contemplação”, de Cecília Meirelles)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Abaixo a estratégia do cupim !

A vida tem dessas coisas, gente que é silenciosa como os cupins, sentimentos silenciosos como os cupins, doenças silenciosas como os cupins, traições silenciosas como os cupins, ambições silenciosas como cupins e uma ganância que transforma os cupins em verdadeiros exércitos contra a gente. Assim foi a CPMF, aparentemente exterminada por conveniências de um cabo-de-guerra político entre legislativo e executivo – isso mesmo, poderes minúsculos, em letras minúsculas do substantivo comum. Mas os cupins que não são besta deixaram algumas larvas na reserva do silêncio que corrói pessoas e objetos, como a umidade durante invernos rigorosos. Tudo por fora parece perfeito, intacto, mas as estruturas não resistem a um simples toque.

As larvazinhas da CPMF travestiram-se em CSS porque este governo é tarado por imposto. É um caso patológico hereditário, desde que o poder deitou raízes por aqui. No Brasil sempre se pagou muito imposto. E a saúde sempre foi relegada ao segundo plano.

As coisas podem ser diferentes, mesmo quando lidarmos com os insetos. E até cupinzeiros podem ser fonte de inspiração para uma sonhada casa auto-sustentável.

Na minha cabeça ressoa o eco modernista:

“Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”. E viva Mário de Andrade! E viva Macunaíma! Esse povo brasileiro que é nosso orgulho tinha uma visão crítica privilegiada e amava o Brasil, de fato.

A saúde anda de pires na mão há séculos, mas não por falta de arrecadação. Hoje, principalmente. E as manchetes que lemos não são um caso de ufanismo barato, esfarrapado. O governo pode aplicar com responsabilidade recursos na saúde, que se deteriora silenciosamente como o ataque dos cupins. E para isso não precisa meter a mão no bolso do brasileiro que rala.

Quanto à agroindústria, já não são as saúvas as grandes vilãs. Pelo menos aqui, onde o bicho é de bom tamanho: bois piratas e pastos clandestinos, os males da Amazônia são.

...entre outros.

Quem quiser dizer não à CSS – A CPMF depois de uma cirurgia plástica e política - pode dar uma paradinha aqui: Sou contra a volta da CPMF.

sábado, 2 de agosto de 2008

Louras correm perigo

Elas estão por um fio, um fio de cabelo, segundo uma pesquisa feita por uma poderosa indústria alemã com 3 mil mulheres - de onde? Parece teoria da conspiração. Na verdade é uma guerra cosmética, de tintura pra cabelo que coloca as morenas no topo da lista. A pesquisa ouviu mulheres africanas? E as ruivas? E as caboclas da Amazônia, nossas uiaras dos igarapés em águas onde não habitam lorelais?

Depois que Marilyn Monroe se encantou, difícil colocar as louras na lista das espécies em extinção. Afinal, Diamonds are a Girl´s best Friend. Há 46 anos, num dia 5 de agosto, Marilyn foi para o espaço, virou estrela de fato, mito, imortal. Memória que desafia o tempo. Quem sabe disso é a Maria Elisa Guimarães.


Loura é cultura

* Homens preferem as louras há pelo menos 11 mil anos. Essa investigação ‘sherloquiana’ é do antropólogo Peter Frost para a Evolution and Human Behavior. Segundo o novo estudo, a cor clara de algumas cabeleiras - que começou por ser uma mutação rara - tornou-se então popular entre os homens, que passaram a preferi-las na escolha das parceiras. No fuck fuck, o número de pessoas com cabelo louro aumentou muito.
* Notícia sobre louras é prato cheio para a mídia. Se for catástrofe, melhor, como a que rola desde 2002 e dois sobre a extinção das louras. Em 2006, colocaram até o dedo da Organização Mundial de Saúde (OMS), dizendo que dentro de 200 anos deixará de haver pessoas com cabelo louro natural. A última loura nascerá na Finlândia, em 2202.
* Loura é um caso científico e econômico. A L'Oréal, a companhia líder mundial em produtos de beleza, afiou as garras para a construção de um centro mundial em Paria, dedidado a pesquisar tudo o que se refere a cabelo. A previsão é de que a partir de 2010, 600 pesquisadores meterão a mão na massa para descobrir uma nova forma de beleza, o cabelo mestiço.
* No estudo liderado pelo psicólogo social Thierry Meyer, da Universidade Paris-X Naterre, o desempenho intelectual dos homens cai quando eles são expostos a fotografias de mulheres louras.
* Os ruivos também já deixaram a cabeça e os cabelos na guilhotina da teoria da extinção. Louras e ruivas podem virar personagens de novas lendas urbanas. Tudo é muito exagerado.
* Gisele Bündchen é inteligente, rica, linda e loura. Será que é exceção? No Brasil (e no mundo) a loura é pop star, o resto é figuração.


Títulos de nobreza ou de injustiça... e de maldade

Loura burra, loura oxigenada, loura a pulso, loura má, loura de meia tigela, loura enferrujada, loura de farmácia, loura belzebu, loura platinada, loura estúpida, loura animal, loura cachorra, loura tico e teco... loura estupidamente gelada (perdão! essa, só no freezer).






by Tíh §†ö¢¢ö ·•♥

Três mulheres estavam conversando: Uma era Americana, outra era Alemã e a outra era Brasileira e Loira.
A americana disse para as outras: - Nós Americanas fomos as primeiras a pisar na lua!
A alemã disse: - Nós Alemãs fomos as segundas a pisar na lua!
A brasileira disse: - Nós Brasileiras fomos as primeiras a pisar no sol!
No que contestam as outras: - Como? Lá é muito quente!
E a brasileira: - Hello, nós fomos à noite!

Não sei se dá pra rir, mas o certo é que há uns cinco anos atrás, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Belém do Pará aprovou um projeto de lei instituindo o Dia Municipal do Combate à Discriminação contra as Louras. É mole ou quer mais? Algum vírus oportunista atacou o vereador, certamente, na falta do que fazer pela cidade que não é o paraíso das louras, convenhamos.