segunda-feira, 22 de março de 2010

Todos nós temos alma de Walt Whitman. Estamos vagando sem saber quando daremos o último passo. Espalhamos partículas de nós pelo caminho.

31 de maio de 1819 / 26 de março de 1892

Poetas de amanhã
Walt Whitman
(fragmento)

Eu sou um homem que, vagando
A esmo, sem de todo parar,
Casualmente passa a vista por vocês
E logo desvia o rosto,
Deixando assim por conta de vocês
Conceituá-lo e aprová-lo,
A esperar de vocês
As coisas mais importantes.


quarta-feira, 10 de março de 2010

O que foi ontem é o que foi. Um ponto final e uma passagem. Como a lua do dia 21 de fevereiro sobre a cidade, clara e nua. Ninfa.

Noite assombrada e iluminada por vestígios. Ronald Junqueiro

A lua e a metamorfose. Ela seguindo seu destino, em fases. À meia noite do 21 de abril, serenamente desnudava-se nova para entrar no quarto crecente. Deixava-se assim, mas sem desleixo, flutuando sobre Belém. Logo estaria cheia, plena de si, cheia de prosa e poesia. Muitos de nós em nossas janelas, sem sabermos do outro noctívago, fomos testemunhas dessa transformação, insones bichos da noite, pétreos adoradores de um instante não compartilhado, desfrutando de uma lunar emoção que a ninguém pertence a soprar o coração em nossa metamorfose nem sempre perceptível a olho nu. Graças àquela lua, minha tristeza era nada mais que uma pálida luz minguante.

sábado, 6 de março de 2010

Retrato do Brasil. Em Belém ou em outro qualquer lugar, calçadas, praças e canteiros parecem o chão de estrelas para o sono solto.

Aqui, agora, em todos os tempos e lugares. Ronald Junqueiro

Sinal vermelho, uma parada na esquina, nosso dia de cada dia. O homem dorme indiferente a quem passa, ao barulho dos carros sob a mangueira da avenida. Uma esquina de cidade grande que guarda resquícios da vida meio parada do interior. Em frente à farmácia, motoboys esperam a chamada para levar pacotes delivery. Belém está quente, nem parece inverno. Atenção! Tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso. É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto, como na música de Chico e Tom Jobim. Assim são nossas noites de inverno.

Belém Sin City em noite de inverno. Ronald Junqueiro

Cenários da ficção e da vida real. Belém bem poderia transformar-se na imaginária Sin City ao cair da noite, no banho morno da chuva que cai ao lado da linha do Equador. Belém, cidade do Grão Pará e dos pecados de uma nova HQ habitada por personagens criados por Frank Miller. Basin_Belém. Sin Belém.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um recorte da noite em baixíssima velocidade. Sugestão de formas e movimentos. Coisas paradas, como na vida, no meio fio. Um convite.



Jogo de luz e sombra no meio fio. Ronald Junqueiro

As coisas não precisam ser concretamente coisas. Nossa vida pode parecer a abstração de momentos íntimos. Nosso modo de ver deve exercitar essas nuances em todos os seus movimentos e possibilidades. A luz, a sombra, a imagem, a mancha. A imaginação sequestra lápis e pincéis, espátulas, mistura cores em óleo, agua a aquarela e nem se incomoda com os contornos no final da tela. E a razão a ela se rende e goza com a precisão da imprecisão, da ilusão da reta, da embriaguês dos pontos, dos pontilhados, da ponte, passagens para as ilhas, nós, nossos territórios. Depois disso, sirvo-me a taça de vinho seco. (Ronald Junqueiro)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A magia da noite e o dia sem maquiagem. A nave da folia iluminada no carnaval perde o charme depois que a festa acaba. A vida segue.

Aldeia Cabana, Pedreira, sexta-feira, 12. Ronald Junqueiro

Aldeia Cabana, sábado, 13, a olho nu. Ronald Junqueiro

Aldeia Cabana, sábado, 13, desfile na chuva. Ronald Junqueiro


sábado, 23 de janeiro de 2010

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poder é fábrica de merda. O problema maior é encontrar fornecedor de papel higiênico para limpar as cagadas feitas pelos 'donos' do poder.


Cena noturna. Feirantes da Pedreira. Ronald Junqueiro


O inverno chegou em Belém. Outro humor, outra iluminação. A cidade fica meio etérea sob as águas. Mas as chuvas mostram bueiros entupidos, alagam baixadas e expõem as mazelas urbanas. Poesia, só na fotografia. Ou na música. Escuto a Blue FM de Buenos Aires.