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domingo, 21 de setembro de 2008

Dia Mundial sem Carro

Nesta segunda-feira, dia 22 de setembro, é comemorado o Dia Mundial Sem Carro, iniciativa lançada por países da União Européia, há oito anos, para incentivar as pessoas a descobrirem alternativas ao automóvel. O objetivo é reduzir o nível de emissão de partículas poluentes e outros problemas ligados ao uso do carro.

Cada cidade brasileira sabe o caos que lhe cabe. Belém virou um ovo para tanto carro. Há engarrafamentos e enlatamentos, pois há horas que nos sentimos nas ruas como se estivéssemos em latas de sardinha.

Belém, segundo o Departamento de Trânsito, conta com uma frota de mais de 200 mil veículos. Aumentou o número de carros, mas o centro da cidade, que ainda concentra a economia local, é um beco sem saída, sem vias alternativas, um caos.

E carro, daqui a pouco, resguardados os exageros, terá o valor da prestação de uma bicicleta. Nunca antes na história deste país foi tão facilitada a compra de um carro zero. No trajeto entre a casa e o trabalho, passo por duas feiras de bairro. Feirante, que agora vai para as estatísticas sociais e econômicas com o título de trabalhador informal, leva farinha até em utilitário importado - clarro que nesse caso deve ser carro usado, mas é importado.

E com esse modo de vida sobre quatro rodas surgiram as pragas urbanas: falta de estacionamento, estacionamento pago, flanelinha, arrombadores de carro e ladrões que roubam carros para cometer assaltos ou seqüestros relâmpagos. Andamos em carros fechados, com películas escuras, lataria e vidros blindados como se estivéssemos em caixões movidos a álcool, gasolina, gás e diesel, alguns literalmente movidos a álcool. Ninguém desfruta mais os trajetos, o cenário, as fachadas das casas.

O olhar é hipnotizado pelos semáforos e a atenção redobrada pois somos obrigados a dirigir pelos outros, também, já que as lei de trânsito não regulam absolutamente nada.

Somos priosioneiros dessa teia urbana. No outro lado, o sistema de transporte público é a expressão do descaso. Ônibus velhos, sujos, dirigidos por motoristas com instinto assassino pressionados pelos empresários usurários que exigem cumprimento de horário na circulação entre a chegada e a saída, sofremos com a queima de paradas lotadas de quem precisa se deslocar na cidade, arrastão e assalto, itinerários sem paradas seletivas que acabam afunilando mais o corredor do transporte público...no mais é o estresse.

As cidades se transformaram em enormes prisões e usamos camisas de força com outros nomes e modelos. Esse movimento das megalópoles são um prato cheio para curtas metragens, fotografias, áudiovisuais e outros meios de expressão...

Temos que nos convencer que vivemos no paraiso.

Um comentário:

Rodrigo Piva disse...

É simbólico, mas muito importante. Bom seria se mais gente respeitasse, mas é cada um por si. Isso que desanima.
Abração