terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um fim de tarde único. Não haverá outro igual.


Adeus ao primeiro dia de novembro de 2009. Ronald Junqueiro

Meu primeiro pôr de sol do 1o. de novembro de 2009. Este dia não se repetirá jamais. O domingo olhado através da minha janela será único e definitivo. Não dá para aprisionar os dias e as noites, mas este fim de tarde não se apagará da minha lembrança como um momento de inspiração. Sei exatamente o que foi este dia, ou a transição das horas: paz.

Não foi um milagre, apenas um fenômeno provocado pelo milagre que nos alimenta diariamente enquanto destruimos o mundo ou juntamos os fragmentos possíveis.


sábado, 10 de outubro de 2009

Virgem de Nazaré, a mais cortejada no Brasil


Mais de dois milhões de fiéis seguem a Virgem de Nazaré,
 padroeira dos paraenses, na grande procissão do segundo domingo de outubro. Ronald Junqueiro


O Círio é realizado há mais de duzentos anos. A procissão sai da Catedral e vai até a Basílica Santuário, num percurso de quase quatro quilômetros. Veja um pouco mais na página do Círio de Nazaré.
Deixo aqui a Santinha, para quem quiser conhecê-la e a todos que por aqui passarem desejo um


Feliz Círio!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Violetas para os que cantam a liberdade


Capa do livro de Francisco Jiménez
com ilustrações de Paloma Valdívia.
Pode ser baixado do site Chile para Niños.

À inevitável tristeza que nos vem com as perdas, podemos contrapor o que ficou do que perdemos numa leitura dos comuns mortais. Vai Mercedes e com ela uma história que fecha seu ciclo vital. Mas essa mesma história é um legado para todos que conheceram La Negra, pelo que ela lutou e construiu na sua trajetória cá nesta terra de profundezas e superfícies: o canto libertador e a liberdade como um dos bens maiores que é nosso e intransferível. Não sou nem serei biógrafo de Mercedes Sosa, mas deixo aqui mais umas linhas de pensamento avulso, desses que todos nós arranjamos todos os dias.


Mais do que lágrimas cultivo o riso e rio ao ouvir a sabedoria com que La Negra usava sua voz como porta-voz de uma América Latina que muito sofreu com as atrocidades praticadas por regimes totalitários no continente. Seu exemplo deve ser seguido por todos nós que devemos nos opor a qualquer tentativa de golpe aos direitos conquistados a custa de muitas vítimas. É uma alegria ouvir Mercedes Sosa e deixar que sua voz me inspire na crença de que podemos construir e manter um mundo melhor que não seja utopia e que devemos dar graças à vida pelo tanto que ela nos dá. Ainda que a gente tropece aqui ou ali, pois não há caminho reto nem poema em linha reta dos quais nos desviemos das quedas e porradas.

Mercedes, essa mulher cantadeira, como tantas outras, mostrou a fibra que tem a alma feminina, feita de fios de aço e linhas de seda para tecer esse mundo que queremos para nós e mais quem virá depois que passarmos por aqui. A ela se juntam ondas e ondas de vozes que desafiam mordaças e fuzis.

Uma hora as pessoas têm que partir. E nessa ida de Mercedes gostaria de lembrar outra mulher fundamental na arte de dizer, de cantar e de fazer sem perder a ternura, a inesquecível Violeta Parra.

Chilena nascida em San Carlos, como tantos poetas que desnudaram o mundo, que incomodaram o poder, Violeta deixou uma obra rica e que não se perderá no tempo. Não podemos voltar aos 17, nós, os que por ele já passamos, mas podemos continuar enquanto não pegarmos nosso trem azul.

Para os tempos de hoje, a poesia de Violeta Parra é, incontestavelmente, um momento de introspecção e questionamento, mesmo em espanhol. Deixo um poema de Violeta Parra colado aqui no Imarginálico. Quem o ler, faça sua tradução em essência e alma.



MIREN

Miren cómo sonríen
los presidentes
cuando le hacen promesas
al inocente.

Miren cómo le ofrecen
al Sindicato
este mundo y el otro
los candidatos.

Miren cómo redoblan
los juramentos,
pero después del voto
doble tormento.

Miren el hervidero
de vigilante
«para rodar de flores
al estudiante».

Miren cómo relumbran
carabineros
«para hacerle premios
a los obreros».

Miren cómo se visten
cabo y sargento
para teñir de rojo
los pavimentos.

Miren cómo profanan
las sacristías
con pieles y sombreros
de hipocresía.

Miren cómo blanquean
mes de Maria
y aL pobre negreguean
la luz del día.

Miren cómo le muestran
una escopeta
para quitarle al pobre
su marraqueta.

Miren cómo se empolvan
los funcionarios
para contar las hojas
del calendario.

Miren cómo sonríen,
angelicales,
miren como se olvidan
que son mortales.



A história nos mostra como sorriem os presidentes quando fazem promessas ao inocente.

domingo, 4 de outubro de 2009

A cigarra continuará cantando

Adeus Mercedes Sosa!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

La Negra Mercedes Sosa. Uma voz abençoada.

Um canto latino que atravessa o mundo.
Mercedes Sosa trouxe na voz um toque divino.
Uma cigarra encantadora, sem fronteiras.


Como La Cigarra


Composição: María Elena Walsh


Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí
resucitando.
Gracias doy a la desgracia
y a la mano con puñal,
porque me mató tan mal,
y seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desaparecí,
a mi propio entierro fui,
solo y llorando.
Hice un nudo del pañuelo,
pero me olvidé después
que no era la única vez
y seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás
cuántas noches pasarás
desesperando.
Y a la hora del naufragio
y a la de la oscurida
dalguien te rescatará,
para ir cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.


Quando La Negra dormir lhe velaremos o sono através da memória, da poesia e da música que ela espalhou aos quatro vento para nos embalar e fazer alegre e consolar. Mercedes Sosa será a cigarra eternizada.

domingo, 27 de setembro de 2009

Santa Maria com Menino Jesus na beira da rua

A santa ao relento olha o movimento da rodovia. Ronald Junqueiro

Na BR 010. Aí fica Santa Maria do Pará. No passa passa pela rodovia é mais uma cidade de beira de estrada. De um lado e do outro, casas pobres, arquitetura pobre e tudo mais parece um set cinematográfico ou de novelas. Idas e vinda pela Belém-Brasília, mostram essa realidade, numa via de alto trânsito de carretas, contrapondo-se às fazendas que dominam a paisagem. E muita devastação.

Uma parada. Pela janela do carro, faço o registro no contra-luz. Uma estátua de Santa Maria com o Menino Jesus. Poderia estar na praça, numa rotatória ou num nicho especial. Que nada! Santa Maria é santa pé no chão. Fica espremida em frente a uma casa e o meio-fio, fincada numa calçada que nem merece o nome de calçada. É a cara do Brasil.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

África em nós até 30 de setembro

A campanha fotográfica África em Nós continua à espera de inscrições que agora podem ser feitas até o dia 30 de Setembro. Criada pela Secretaria de Estado da cultura de São Paulo, a campanha visa mostrar através da fotografia a presença e a herança africana no dia a dia.

O tema é a própria África, o continente mãe. Como perceber os sinais africanos? Quais os sinais perceptíveis em nossa cultura? Cada participante deve realizar sua foto mostrando como vê e sente esta África que existe perto de nós.


Leia o regulamento e participe.

Fotógrafos amadores ou não podem participar da campanha, que tem como curador responsável o fotógrafo Walter Firmo. A campanha é organizada pela Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias.

As 100 melhores fotografias serão publicadas num book especial com lançamento previsto na semana de consciência negra.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cena brasiliense: a santa sesta sobre a grama

Dolce far niente nos gramados de Brasília. Ronald Junqueiro
Viagens rápidas, a trabalho, podem ter registros do cotidiano das cidades por onde você passa., apesar das inevitáveis reuniões ou outros compromissos agendados. No meio do dia, do décimo andar do Hotel Alvorada, do lado que dá para a Esplanada dos Ministérios (o lado par do corredor do hotel, setor sul), olho para o gramado logo abaixo, e lá estão eles, trabalhadores do Brasil, na santa sesta após o almoço, sem usar as baixelas do Planalto. Não estão nem aí para as camadas do pré-sal e seus lençóis cobrindo a gana do poder presidencial que quer preparar o leito para dona Dilma.

Nessa gestão de cama, mesa e banho do Partido dos Trabalhadores e quejandos, que a grama sirva para uma pausa e justo descanso do trabalhador que sua de verdade, numa Brasília calorenta desde o final de semana.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

E a "Máscara de Jason" vai para!...

Reprodução feita a partir de cenas do filme. Ronald Junqueiro
Dá uma tristeza ver o Brasil do jeito que está. Violência, mentira, golpes, políticos de baixo calão, enganação geral, cinismo pela hora da morte. Nada disso é novo e nem podemos ser inocentes para acreditar que tudo começou agora, na era Lula.

Mas não há como fechar os olhos para tanto descalabro.

Tudo é ambição, guerra pelo poder, manutenção do poder e o povo que lamba o chão.

Quem mente afinal, Lina ou Dilma? Lula?

Sarney? Palocci? Mercadante? Aquele que faz do Senado o quartel de Abrantes...E que diz que não amarelou, que o apelo do PT para o seu “dia do Fico” era maior - PT que mais parece, hoje, Partido da Traição.

Nesse circo de horrores, vamos criar um Prêmio Nacional made in USA? Mas sem ameaçar a natureza. No lugar da Cara de Pau lançamos como prêmio para os piores cidadão do Brasil a máscara de Jason, no prêmio “Monstros do Brasil”.

sábado, 15 de agosto de 2009

Bob Dylan, um cidadão comum, simples mortal

Uma janela discreta. Ronald Junqueiro
Os dias passam sem dar satisfação. Hoje é sábado, depois é domingo e logo será a próxima semana, o que importa? Dias são o disfarce do tempo, assim como os relógios, as ampulhetas, o calendário, a agenda, o blog, a areia sob a qual seremos soterrados se nossos corpos não se transformarem em pó numa breve cerimônia fúnebre.

Soterramento leva ao esquecimento. O tempo é areia. Sob o tempo, cobrem-se vivos e mortos. Todos os dias. A falta de memória não está perdida lá no fim do túnel. Ela está na manhã de hoje, há algumas horas atrás. Não é coisa de desmemoriados apenas, mas de ignorantes, de um bando atropelado por essa velocidade temporal que nos faz perder o bonde da história ou o trem bala. Só quem viveu Woodstock ou sua era, guarda essa emoção que chega até aqui, quarenta anos depois. Montam colagens de velhos ídolos, muitos deles já mortos.

Para a moçada de hoje, isso não tem o mesmo significado. Lenda é um equívoco. Ora vejam só. Leio na Internet:

“A lenda do rock Bob Dylan foi tratada como um completo desconhecido pela polícia em uma comunidade na costa de Nova Jersey, quando um morador denunciou que alguém estava vagando pela vizinhança”.

Recorte do dia. Dylan foi parado por policiais que não o reconheceram e exigiram sua documentação, numa comunidade na costa de Nova Jersey. Os guardinhas tinham cerca de 20 anos. Claro que o Dylan de quarenta ou vinte anos atrás não é o mesmo hoje, não está no noticiário como as novas bandas e ídolos do rock e os guardinhas não têm obrigação de saber que estavam abordando uma lenda. Fizeram o que tinham de fazer mesmo que o roqueiro dissesse que estava em turnê.

Um morador desconfiado e policiais que estão mais para a geração dos filhos dos filhos da paz e do amor acabaram com o passeio de Dylan. O artista disse aos policiais que estava apenas caminhando e observando as casas para passar o tempo, antes do show de noite. Era apenas um transeunte, queria ser um simples mortal como tantos outros anônimos flanando pela cidade. Era um simples mortal.

Há dias logos e há dias curtos. E nesse passar podemos ser interceptados e impedidos de olhar a paisagem, a arquitetura das cidades, o movimentos dos anônimos. Somos todos suspeitos por estarmos na rua. Mas isso não impede a marcha nem a caravana. Nem os cães ladrando.

Outras coisas que me chamaram a atenção no dia:

- Shahrukh Khan, um dos mais famosos atores indianos, foi detido por duas horas no aeroporto de Newark, perto de Nova York, neste sábado. Khan teria sido libertado após a intervenção de um diplomata indiano nos Estados Unidos.

O ator, uma das maiores celebridades de Bolllywood (a indústria indiana do cinema), acusa as autoridades de imigração americanas de tê-lo interrogado por causa de seu sobrenome muçulmano.

O ator já apareceu em mais de 70 filmes de Bollywood e ganhou inúmeros prêmios por suas atuações. No ano passado, a revista americana Newsweek listou seu nome entre as 50 pessoas mais influentes do mundo. (BBC)

- Cerca de 200 pessoas fizeram à tarde, no Rio de Janeiro, um protesto contra a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado. Eles percorreram a orla da Praia de Copacabana do Posto 6 até o Hotel Copacabana Palace, exibindo cartazes com inscrições como "Fora Sarney", "Lugar de corrupto é na cadeia" e "Pena de morte para os ladrões". Muitos usaram nariz de palhaço, máscara para evitar gripe suína com os dizeres "Fora Sarney" e carregaram caixas de pizza. O grupo fez ainda um minuto de silêncio e cantou duas vezes o Hino Nacional durante a manifestação, que teve três horas de duração. (Agência Estado)

- O engenheiro Januário Reina, secretário de Administração da Prefeitura de Sorocaba, foi preso na tarde deste sábado por policiais da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic). Ele foi flagrado com três adolescentes dentro de um motel em Itu, por volta das 15h30. (Agência Estado)

- A exposição Joconde - Da Monna Lisa alla Gioconda Nuda que é dedicada a trabalhos inspirados no quadro Mona Lisa. em cartaz no Museu Ideale Leonardo Da Vinci, na região da Toscana, até 30 de setembro. A mostra é dividida em duas partes: uma com obras histórica e outra com peças de arte contemporânea. Algumas destas obras trazem retratos da Mona Lisa nua.

Claro está que nenhuma delas bateria dona Norminha, personagem da talentosa (e gostosa!) paraense Dira Paes, na capa Playboy, se a atriz atendendesse aos apelos dom editor da revista.

Tem mais espetáculo, mas por agora vou dar uma espiada pela janela.