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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Polícia tem carta-branca para matar

Quem quiser baixar wallpaper do filme, pode ir no Winxlinux
O relator especial da ONU, Philip Alston, disse ontem, segundo a agência AFP, que a polícia brasileira é responsável por uma parte considerável dos 48.000 homicídios registrados todos os anos no país e se beneficia de uma "carta-branca para matar", denunciou nesta segunda-feira Philip Alston, o relator especial da ONU para execuções sumárias.
E cita o Rio de Janeiro como cidade superviolenta, onde os agentes da polícia, segundo ele, “matam três pessoas por dia e são responsáveis por mais de 18% de todas as mortes"

Até hoje não sei a que ponto essas notícias negativas para a imagem do Brasil podem transformar a realidade e aqui voltar a ser Pindorama. Qual é o resultado prático que isso traz para o brasileiro que está na linha de fogo? Alston afirma que essa situação é estimulada pelo "sistema atual, que dá uma carta-branca para as mortes cometidas pelos policiais", segundo relatório apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos em sessão plenária realizada, em Genebra.

Nada de novo existe neste planeta chamado Brasil que não se fale numa mesa de bar. E da forma como a noticia é veiculada, todos somos cariocas e vivemos no Rio de Janeiro, para onde vai a bronca maior do documento. O Brasil é muito mais e a violência é bem maior. Não podemos ser levianos a ponto de eleger este ou aquele estado como exemplo de barbárie.

O que a ONU diz - e essa constatação é lamentável - nossos governantes sabem de cor como sabemos de cor que o que falta aos nossos governantes é uma política de segurança pública que se volte integralmente para o cidadão. Estamos em plena campanha eleitoral municipal e, pelo menos aqui no Pará, não se ouve os candidatos falarem de um projeto sério no segmento da segurança pública. Todos engatam no velho “ramerame” de construir delegacias, penitenciárias e investir em polícia comunitária, criando a ilusão de democracia participativa. Tudo isso e nada e nada é a mesma coisa.

A polícia de Belém, hoje, está toda na rua, mas não por causa do cidadão e sim porque vem aí o Fórum Social Mundial e a cidade precisa ser “higienizada”. Vão fazer o que? Extermínio? Os bandidos vão migrar dos bairros onde o fórum terá muitas atividades para outros bairros e depois? Depois que o fórum acabar a bandidagem vai cantar em coro a música "Por enquanto", do Renato Russo?

“Mudaram as estações /Nada mudou / Mas eu sei que / Alguma coisa aconteceu / Está tudo assim / Tão diferente... (...) Mesmo com tantos motivos / Pra deixar tudo como está / Nem desistir, nem tentar / Agora tanto faz / Estamos indo / De volta pra casa...

Então retorna tudo como dantes do quartel de Abrantes? Quando na história deste país os governos planejaram um combate efetivo à bandidagem, seja bandido de carteirinha ou disfarçado em fardas policiais, que restituísse aos cidadãos o direito de ir e vir?

Durante a realização da Eco92, o Rio de Janeiro virou a cidade mais segura do mundo. Quem viveu este momento e tem boa memória vai lembrar como se podia vagar pelas ruas cariocas sem medo. Acabou o fórum e o poder paralelo mostrou que veio pra ficar. A polícia era polícia de verdade, exercia seu papel.

E as crônicas e noticiários de 1969 publicadas nos jornais da época quando a Rainha Elizabeth veio visitar o Brasil? Quem viveu esta época?

Os mendigos sumiram das ruas e as favelas foram maquidas por out doors. No Recife, a rainha chegou a jogar beijos para as prostitutas por achar que aquele bando de mulheres debruçadas nas janelas estava ali para homenageá-la no trajeto que a comitiva real fazia pelas ruas de um velho bairro da cidade.

Assim é se lhes parece, mas segurança só acontece em dias de festa ou eventos especiais. A polícia tem que ser polícia. Depois é cada um por si e Deus por todos.

O tal relatório da ONU conclui que "muitos policiais buscam aumentar seu magro salário trabalhando para as organizações criminosas".

Ô seu Alston, conta outra! Nossos governantes estão carecas (ou não) de saber que há um esquemão correndo solto para garantir uns trocados a mais e nem precisa que o relator, também professor de direito na Universidade de Nova York, venha nos contar essas barbaridades, que "um número considerável de policiais levam uma vida dupla. Quando estão de serviço, combatem os grupos de traficantes, mas, em seus dias livres, trabalham a serviço do crime organizado".

O relatório de Alston, que também fez diagnósticos e recomendações sobre São Paulo e Pernambuco, criticou o modelo de "megaoperações" adotado no Rio desde 2007. Um dos principais alvos dele foi a ação que levou 1,3 mil policiais ao Complexo do Alemão (zona norte) em junho de 2007 e terminou com 19 mortos. Ele sugere a troca das operações pela presença policial permanente nas favelas dominadas pelo tráfico.

Tudo bem Sr. Alston, mas será que esse relatório não serviu apenas para gastar tinta de impressora e entrar para os anais internacionais, para manter a rima pobre e iluminar com velas e círios a imagem do Brasil como um estado bandido?

Não acho que nós brasileiros devamos ficar calados, pateticamente mudos com as ameaças que sofremos diariamente e que os cadernos de policia cobrem com uma fartura de detalhes que nos causa náuseas. A questão é: o governo brasileiro vai ler e levar em consideração a denúncia? A Justiça vai ser Justiça?

Até aqui, o governo age de modo pontual na crise institucional da segurança pública, porque se sente confortavelmente seguro com batedores, carros blindados, esquemas de segurança, cercas eletrificadas, cães de guarda e medidas rigorosas para manter a integridade dos nossos representantes. Ao cidadão comum resta acender uma vela para o anjo da guarda e rezar para não perder a vida por causa de um botijão de gás.

Enquanto isso, Fernandinho Beira-Mar, família & Cia vivem no bem bom, bem alimentados e seguros de dar inveja a qualquer trabalhador de um Brasil desigual, mesmo para quem acha que uma bolsa família e outros trocadinhos transformaram o país na oitava maravilha e que a vida, por isso, vai melhorar mais.

Aliás, é de causar estupor coleguinhas e escrevendo em colunas formadoras de opinião afirmando que Lula, mais um presidente, pode ser considerado um mito.

Menos, menos, menos...

2 comentários:

Suely disse...

Momento do Fórum Social Mundial. À caça de bandido, polícia humilha moradores de boa índole, do Bairro da Terra Firme, em Belém.

Rodrigo Piva disse...

Aqui a polícia e os bandidos têm carta-branca pra matar e nós é que ficamos nesse fogo cruzado, infelizmente.
Abraços