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quarta-feira, 10 de março de 2010

O que foi ontem é o que foi. Um ponto final e uma passagem. Como a lua do dia 21 de fevereiro sobre a cidade, clara e nua. Ninfa.

Noite assombrada e iluminada por vestígios. Ronald Junqueiro

A lua e a metamorfose. Ela seguindo seu destino, em fases. À meia noite do 21 de abril, serenamente desnudava-se nova para entrar no quarto crecente. Deixava-se assim, mas sem desleixo, flutuando sobre Belém. Logo estaria cheia, plena de si, cheia de prosa e poesia. Muitos de nós em nossas janelas, sem sabermos do outro noctívago, fomos testemunhas dessa transformação, insones bichos da noite, pétreos adoradores de um instante não compartilhado, desfrutando de uma lunar emoção que a ninguém pertence a soprar o coração em nossa metamorfose nem sempre perceptível a olho nu. Graças àquela lua, minha tristeza era nada mais que uma pálida luz minguante.

Um comentário:

Ana Luiza disse...

Lua lua lua lua... De São Jorge e tristezas, de dragão e descobertas... Ah, Rô, que saudade de você, que ainda vê beleza nas coisas...