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domingo, 6 de julho de 2008

Vida boa, vida breve

Elas vieram de longe. A vida é prova de resistência. Ronald Junqueiro

As orquídeas ficam num canto do improvisado jardinzinho suspenso que jamais se igualará aos jardins da Babilônia. Elas florescem o ano todo, adaptadas à vida em vasos arrumados na direção do nascente. O verão é excitante, fecundador. E as arundinas se multiplicam e se derramam em flores de vida breve. Não exigem cuidados excessivos e paranóicos de jardineiro amador. É suficiente regá-las e vitaminar a terra de vez em quando. E daí a natureza toma seu rumo sem frescura. Mas as arundinas falam, também, que as conexões com o planeta são reais e não dependem de um clique virtual para ativar um mundo que pode estar oculto nesse ciclo de vida e morte, o nosso cotidiano. Se nós, como as orquídeas, encontrarmos um solo, um cantinho de terra e liberdade abrimos caminhos para outras gerações, o que é, verdadeiramente, a essência da imortalidade. Há um tempo para todos e a vida é a maior prova de resistência. Nada acaba em cada um de nós e nem em quem periga entrar para a lista de espécies em extinção.

- Tão belas essas orquídeas! Vieram de Burma, lá do outro lado, bem distante, milhas e milhas, e nem imaginaram que viveriam numa rua aqui do bairro da Pedreira, em Santa Maria de Belém do Grão Pará, Amazônia, Brasil.

(Com a pompa e circunstância da botânica, as flores da sacada são conhecidas como arundina bambosifolia, da família orquidácea e da espécie graminifolia. Isso é o que se chama, na moral, uma verdadeira árvore genealógica. As arundinas não precisam pagar terapias de regressão. Podem ter nascido nos jardins de monges budistas de Myanmar – ex-Burma ou Birmânia – esse país tão looooooooonge, no sudeste da Ásia, que nem nos damos conta de tal existência. Aliás, em 2007, a repressão às manifestações contra o regime militar, instalado no país há 46 anos, fizeram muita vítimas, entre elas os pacíficos monges. Coisa de países abençoados por Deus, como o nosso verdeamarelo pa-tro-pi. Como desgraça pouca é bobagem, um dos poucos momentos para quebrar o isolamento internacional vivido pelo país, em maio, por um ciclone, sob medida, que deixou mais de 15 mil mortos e mais de seis milhões de desabrigados. O fluxo de turistas ambientais e da rede solidária internacional deve ter aumentado pra caramba, pois Myanmar é um dos países menos visitados por turistas no continente asiático. Guardadas as proporções, o Brasil ainda é um paraíso).

4 comentários:

Ana Luiza disse...

Sempre admirei a beleza das orquídeas, mas agora invejo também sua capacidade de deixar a natureza tomar "seu rumo sem frescura". Quando crescer quero ser igualzinha... Beijo!

Maria disse...

Menino, a "casinha" ta linda. As orquídeas são maravilhosas, apesar de eu preferir as rosas. As rosas são como eu: cheiram bem mas têm espinhos...kkkkk ...Saudade de vc TODO DIA. Bjao ... Graça batista

Ana Lucia Prado disse...

Amigo,
Elas, as orquídeas, têm esse mistério. Às vezes se deixam domar em vasos de varandas. Mas, as mais elegantes exigem troncos cheios de seiva para nutri-las enquanto esperamos por uma florada a cada ano.
Voluntariosas, eu diria, porém rainhas sobre todas as demais.
Como não suporto a espera de um ano entre cada visita, eu fico com o jasmim, de perfume corriqueiro, mas generoso ao me confortar todas as noites.
Bjos

Beth Cruz disse...

O Imarginálico está fadado ao sucesso.
O vírus da blogagem já contaminou você, rsrsrsrrsssssssssss
Sucesso ao que já é sucesso.
Abraço