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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mapa da pobreza

O que o Brasil tem de diferente? Muitas coisas, inclusive as diferenças regionais que fazem o país rico para os muito ricos e pobre para os muito pobres no mesmo tempo e espaço. Basta folhear velhas lições da contradição do desenvolvimento econômico e social que cada canto do país vive. Há crise mundial, o país se assusta, mas segue em frente, sem se importar com as más línguas dos profetas do apocalipse, que sempre fazem os governos reagirem mal e proclamarem os esforços feitos para mudar isto ou aquilo. Mas fato é fato e não pode ser mudado com ações pontuais sobre grandes feitos e planos para um futuro que nunca chega, que é miragem para muita gente. Por isso, tapar o sol com a peneira permanecerá como o grande desafio a sombra absoluta. Assim como a realidade, que deixa, às vezes, vazar luz demasiada ainda que se procure o aconchego de um quarto à meia luz.
O governo federal criou mais um índice que será apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e que expõe o Brasil que não queremos: o país da miséria, da pobreza danosa, violenta. A notícia não deve ser vista como gradações de escândalo pelo fato de envolver o governo, até mesmo pela razão de o próprio governo ter criado mais um instrumento para mostrar a cara do Brasil. O certo é que o novo índice é uma grande base de informação para a elaboração de políticas públicas, normalmente carentes de dados consistentes, mensuráveis e confiáveis.
Pois bem, estamos diante do novo Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF), que será apresentado Ministério e que traça o mapa da pobreza no Brasil. Esse índice se baseia na vulnerabilidade familiar, escolaridade, acesso ao trabalho, renda, desenvolvimento infantil e condições de habitação. Essas informações têm origem no Cadastro Único ministerial que é um instrumento de coleta de dados e informações com o objetivo de identificar todas as famílias de baixa renda existentes no país. O IDF, além de poder ser calculado para cada família, foi construído de modo a ser aditivamente agregável, segundo a apresentação feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social na internet. A partir desse novo instrumento, pode-se, com base nele, não apenas obter o grau de desenvolvimento de bairros, municípios ou países, mas também de grupos demográficos como negros, crianças, idosos ou analfabetos.
A luz que vaza pela peneira da realidade do IDF, mostra que a região Norte é a mais pobre do Brasil. É o lado distante do Brasil Central. Ainda que os programas sociais anunciem mil benefícios e beneficiados, o assistencialismo do estado não tem a força de uma ação revolucionária, quando o que o povo quer mesmo é ocupação e renda. A nota triste do caso é, realmente, a falta de alcance das políticas públicas em relação aos povos da Amazônia, onde a pobreza é escancarada. Juntando-se o assistencialismo à falta de trabalho e baixa escolaridade temos o prato feito dessa cozinha onde o Amazonas desponta como o estado com a pior situação de miséria, seguido do Pará e do Maranhão. Não escapa dessa perversa pobreza nenhum estado da região Norte.
Voltemos à distância que nos separa do poder central instalado em Brasília. Entre as capitais brasileiras, onde o Estado brasileiro está mais próximo, a situação é um pouco melhor. Não há nenhuma capital entre os 500 municípios com piores Índices de Desenvolvimento Familiar. Mas se nos distanciamos do Planalto, os índices mostram o que não queremos ver: Macapá (AP) e Porto Velho (RO) têm as piores situações, com IDF 0,48. Mas Belém (PA), Manaus (AM) e Rio Branco (AC) aparecem com 0,49 apenas. São Paulo, a cidade mais rica do País, tem um IDF de 0,55, igual ao de Teresina (PI), Natal (RN) e Aracaju (SE). Curitiba e Salvador são as melhores capitais, com 0,59 e 0,58, respectivamente.
De posse desses dados, cada cidadão deve cobrar o voto colocado, ou melhor, digitado nas urnas para escolher os candidatos eleitos para gerir os destinos de suas cidades e dos seus municípios, dos estados e do País. Quando vemos a Amazônia cantada em verso e prosa, em discursos e em palanques anacrônicos, lembrada apenas pela floresta e pelas águas na sinfonia da biodiversidade, impossível não perguntar: e os povos das florestas, e os povos das cidades fundadas no seio da floresta, não fazem parte da paisagem? A Amazônia não pode ser reduzida a cartão postal. Aqui há gente que precisa de qualidade de vida, logo a pobreza precisa ser combatida.
Não dá para tapar o sol com a peneira.

Um comentário:

Anônimo disse...

O QUE ESPERAR DE UMA REGIÃO QUALHADA DE AÇÕES ASSISTENCIALISTAS-IMEDIATISTAS?
ORA, NO AMAZONAS TEMOS UM GOVERNADOR MEGALOMANÍACO E VICIADO EM OBRAS FARAÔNICAS QUE NUNCA RESOLVE NADA, E QUE POSSUE O MESMO CACOETE DA GOVERNADORA DO PARÁ, OU SEJA: SÃO GOVERNADORES-PREFEITOS, SÓ SE PREOCUPAM COM A CAPITAL!! DEIXANDO O RESTO DA POPULAÇÃO NA MISÉRIA, CAUSANDO O INCHAMENTO DAS GRANDES METRÓPOLES COMO BELEM E MANAUS!
NO ACRE, QUANDO CONHECI NO FINAL DO ANO PASSADO, SÓ CONSEGUI OBSERVAR UMA CIDADE SEM IDENTIDADE PENDURANDO NA HISTÓRIA LENDÁRIA DE CHICO MENDES, TUDO GIRA EM TORNO DA FIGURA LENDÁRIA DE CHICO MENDE, É GOVERNO DA FLORESTA PRA CÁ, CHICO MENDES PRA LÁ E SÓ!
EM MANAUS, A POPULAÇÃO SE GABA DE TER O QUARTO MAIOR PIB ENTRE AS CIDADES BRASILEIRAS, MAS A MAIORIA DA POPULAÇÃO É SEMI-ANALFABETA. NO PARÁ A GOVERNADORA NÃO CONSEGUE FOMENTAR DESENVOLVIMENTO ALGUM, MAS EMPREGA A MANICURE E ACABELEREIRA COM O DINHEIRO DO ESTADO, E O PIOR, ELA ACHA QUE VAI DAR JEITO NA FEIURA DELA!
POR ESSAS BANDAS NADA DÁ CERTO, TEMOS OS PIORES POLÍTICOS DO BRASIL, TODOS DESLUMBRADOS COM O PODER! QUERIA EU QUE ELES SUMISSEM DAQUI! COMO? FÁCIL, BASTAVA ELES SUBIREM NO PRÓPRIO EGO E SE JOGAREM LÁ DE CIMA!
RORAIMA? NEM VOU COMENTAR! AQUILO NEM DEVERIA EXISTIR (FALO DA SITUAÇÃO NÃO DO ESTADO)!
ABRAÇOS AMAZÔNICOS!
ALBERTO.